COP16, Universo Paralelo e a Rio + 20

Opinión Dec 20, 2010 Comments Off on COP16, Universo Paralelo e a Rio + 20

Isaac Edington, Director Presidente do Instituto EcoD,comparte sus impresiones luego de participar en Cancún en la COP16 junto a un grupo de aliados de AVINA.

A conferência da ONU para o clima, a COP16, terminou em Cancún, no México, de uma forma que poucos analistas esperavam. Contra a expectativa de que não haveria anúncios relevantes ao final do encontro, foram firmadas duas decisões: a criação do Fundo Verde e a extensão do Protocolo de Kyoto para além de 2012, quando expira o tratado. Com o Acordo de Cancún, crescem as expectativas de que a próxima reunião do clima, em Durban, na África do Sul em 2011, possa produzir um tratado legalmente vinculante, capaz de obrigar a comunidade internacional a cortar emissões de gases do efeito estufa e combater os efeitos das mudanças climáticas.

Embora os acordos firmados na COP16 sejam limitados e já viessem sendo discutidos, eles restauraram um pouco da credibilidade perdida em Copenhague. A dobradinha Brasil e Reino Unido foi fundamental na busca de consenso sobre o Protocolo de Kyoto e lidar principalmente com a resistência japonesa quanto ao tratado, pois Japão, Rússia e o Canadá haviam dito que não participariam da segunda fase de Kyoto. Aliás, esse foi o grande debate da conferência, renovar ou não o protocolo. Os países opositores a Kyoto exigiam que fossem incluídas reduções das emissões para economias emergentes como Índia e China, esta uma das maiores poluentes do planeta. Já os grandes países emergentes dizem que não aceitariam um ônus tão grande quanto das nações ricas.

Há, ainda, a questão dos Estados Unidos, que até agora não ratificaram Kyoto e a questão segue sem definição. Apesar do consenso, não houve fixação de datas e prazos. A Bolívia foi o único a se posicionar contra as decisões da COP16, argumentando que o plano não é suficiente para combater as mudanças climáticas. Segundo a delegação boliviana, elas são tão fracas, que poderiam colocar o planeta em risco. O país vai recorrer à Corte Internacional de Justiça de Haia para contestar o resultado da COP16.

Ambientalistas celebraram a criação do Fundo Verde de US$ 100 bilhões até 2020, que ajudará as nações em desenvolvimento na luta contra as mudanças climáticas. Houve, ainda um compromisso dos países ricos desembolsarem US$ 30 bilhões até 2012, dinheiro chamando “fast start”, ambos serão administrados inicialmente pelo Banco Mundial. Esses recursos provavelmente não chegarão ao Brasil diretamente, a prioridade deve ficar para países mais vulneráveis como a África.

Entretanto, o Brasil não saiu de mão abanando, um acordo firmado durante a conferência injetará 18 milhões de euros no financiamento de projetos do Fundo Amazônia. A verba foi aprovada por meio de um contrato de doação assinado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) e pelo Banco Alemão de Desenvolvimento (KFW). Com o novo contrato, a Alemanha torna-se o segundo país a doar verba para o Fundo Amazônia. O primeiro foi a Noruega, que fechou um acordo em 2009 para investir US$ 1 bilhão no fundo até 2015.

Enquanto as negociações caminhavam no resort Moon Palace, rapidamente apelidado de “mundo da lua”, poucos quilômetros dali aconteciam os eventos paralelos no centro de convenções Cancun Messe. Essa distância entre centros importantes da conferência fez com que manifestações tradicionais realizadas pelos ativistas nesse tipo de conferência fossem esvaziadas. Embora essa distância, o aparato logístico e de segurança desagradasse muita gente, pude presenciar de fato um “universo paralelo”.

Empresas, ONGs, organismos multilaterais, de todo o mundo, faziam conferencias, apresentavam relatórios, inovações, novas tecnologias, ações de sensibilização, mobilização, um verdadeiro diálogo global. Diferentes raças, credos e culturas com um propósito predominante, tornar o mundo um lugar melhor para se viver.

Numa dessas iniciativas, participei do Workshop Global promovida pela Fundação Avina, que convidou lideranças da América Latina, Europa e Estados Unidos para estabelecer uma estratégia e linhas de ação, no sentido de tornar a Conferencia RIO + 20, que será realizada no Rio de Janeiro em 2012, numa proposta de ação global e pragmática na direção da sustentabilidade. Entre os presentes a senadora Marina Silva, Leonardo Boff, Fábio Feldman, Yolanda Kakabadse (WWF), Oded Grajew, entre outros que ressaltaram a importância da conferencia para o Brasil, e a extraordinária oportunidade de mobilização que teremos de influenciar para ação, governantes, lideranças globais e toda uma nova geração pós-Rio 92.

O fato é que, cada vez mais, fica evidente que na falta de diálogo, consenso e de velocidade da agenda oficial para firmar avanços que toda sociedade anseia, urge a necessidade e importância de articular, congregar, dialogar e mobilizar a inteligência e capacidade de influenciar e transformar do “universo paralelo”, que pode contribuir decisivamente para trazer sanidade à aqueles que gravitam no “mundo da lua”.

Por Isaac Edington

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